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Mercado de Trabalho: Por que trazer diversidade para essa pauta?

A Happen é uma startup de educação. Então, faz parte do nosso DNA entender que o acesso igualitário a oportunidades de ensino e emprego, são um grande agente de transformação social. Nós entendemos o nosso papel na busca dessa sociedade mais justa e vamos abordar nesse post boas práticas para ter um mercado de trabalho mais diverso e quais os primeiros passos para essa mudança.


O Brasil é o país com o maior número de pessoas pretas fora da África. Segundo as estatísticas do IBGE, 56% da nossa população é preta. Mesmo que as pessoas pretas ocupem a maior fatia da nossa população, quando olhamos para os postos de trabalho, a realidade é outra. Como mostra o gráfico abaixo:

A disparidade salarial é outra face do preconceito. Mesmo quando se tem nível de escolaridade equivalente ao de brancos, os pretos costumam receber salários menores: para quem têm ensino superior , as médias, em 2017, foram de R$ 31,9 e R$ 22,30, por hora, respectivamente. A diferença representa uma queda de 43,2%.

Um levantamento do Instituto Ethos com as 500 maiores corporações do país aponta que apenas que pretos estão representados em apenas 6,3% nas posições de gerência e 4,7% dos quadros executivos.

Além de ser uma pauta social, a diversidade gera vantagens competitivas para os negócios. De acordo com relatório da Mckinsey, o potencial de aumento no faturamento é 15% maior em empresas com mulheres em cargos de liderança e 33% superior com relação a diversidade étnica e cultural.


Listamos algumas perguntas que podem ajudar a sua organização a ter um olhar mais analítico para essa situação:

  • Quantas pessoas pretas existem no seu time?

  • Quantas dessas pessoas estão em cargos de liderança?

  • Será que ter um setor ou um departamento inteiro de uma empresa apenas com profissionais brancos, não pode ser um fator limitante para a diversidade da sua empresa?

  • A sua organização tem vagas prioritárias para pessoas pretas, mulheres ou pertencentes a outras minorias?

Todas essas são perguntas simples e que levam a auto reflexão sobre o papel que a sua empresa está tendo na luta contra as desigualdades sociais.


Para falar mais especificamente sobre a questão racial, convidamos Camille Gomes, Psicologa e mestranda em antropologia pela UFPE, para contar um pouco da sua perspectiva enquanto negra:


1. Camille, quem é você? Por que você acredita que é importante trazer relevância para a pauta de pessoas pretas no mercado de trabalho?


"Meu nome é Camile Gomes, eu sou psicologa há 11 anos, sou formada pela Universidade Católica de Pernambuco desde 2009. Eu ingressei na universidade pelas politicas publicas educacionais (FIES). Tenho experiência em assistência social com 8 anos de atuação no serviço público. Psicologa Social pelo Conselho Federal de psicologia. Sou ainda terapeuta de família pela UFPE e sou mestre em antropologia, também pela UFPE. Sou professora de duas universidades e terapeuta sistêmica. Além disso, sou mãe, mulher, negra e sou uma militante ativista. Também sou pesquisadora pelo CNPq sobre relações inter-raciais e raciais sobre uma perspectiva sistêmica.

Acredito que é importante trazer essa pauta de relevância para as pessoas negras em qualquer âmbito social. As pessoas negras representam 56% da população brasileira. Se somos maioria estatística, por que a representação nos lugares de privilégio também não segue essa proporção? Precisamos ter protagonistas negros em cargos como medicina, juízes, promotores, defensores públicos, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, designer, educadores. É muito mais fácil encontrar pessoas brancas ocupando esses cargos. Nesse ponto, é importante que o branco enxergue o seu lugar de privilégio para ajudar os negros a chegarem nesses espaços.


Obviamente que os negros tem essa dificuldade de acesso por que majoritariamente estão nas escolas públicas. Mas existem as políticas públicas que permitiram que os negros (como eu) acessassem lugares de protagonismo. Eu, por exemplo, sou uma minoria em meio a professores universitários brancos.

2. Historicamente nós sabemos que pessoas pretas tem menos acesso a educação e, por consequência, a cargos menos qualificados. Então, em uma situação hipotética: Você é um recrutador com duas opções para contratação: Um candidato preto e é menos capacitado para aquele cargo ou um candidato branco que tem mais capacitação técnica. Por que escolher o candidato preto se, na teoria, ele é menos capacitado?

“Acredito que existem muitas pessoas pretas qualificadas. O que precisamos é de oportunidade para ocupar esses cargos. Cada dia mais as pessoas negras se esforçam como nunca para ocupar esses espaços, o que precisamos é de oportunidades para mostrarmos o nosso potencial e nosso trabalho.”


3. Que medidas as empresas podem adotar para sair do discurso de diversidade e realmente conseguir colocar essas medidas em ação?

“Por muito tempo a mídia, as empresas e algumas instituições publicas adotaram posturas de apenas se posicionar contra o racismo. Mas a questão aqui não é apenas não ser racista. Podemos lembrar do discursos de Angela Davis, "Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista!". Ou seja, tentar observar nos cargos de liderança e chefia: por que não contratar pessoas negras para assumir esses postos? Por que só contratamos pessoas negras para cargos subalternos, para cargos de limpeza, de recolher lixo, de cozinhar? Esse é o X da questão: pensar na diversidade também de buscar apoio de empresas chefiadas principalmente por mulheres negras. De acordo também com a Ângela Davis, elas estão na base da pirâmide social. Essa questão ainda se dificulta por que a mulher negra tem toda a questão da interseccionalidade de gênero e raça, esses marcadores sociais dificultam ainda mais o acesso em questões ligadas ao feminino: Maternidade, afazeres domésticos etc. Então essas mulheres também precisam desses cargos para acessar.”

4. Que tipo de material uma pessoa branca pode consumir para começar a entender as relações de racismo estrutural na sociedade?

“É importante pensar que existem materiais para desenvolver um letramento racial e uma noção para as pessoas brancas de que sempre teve um acesso facilitado na sociedade. Na década de 30, por exemplo, os imigrantes que chegaram no Brasil tiveram acesso a tipos de cotas e benefícios que a população negra não teve.”


Quer conversar um pouco mais com a Camille? Pode entrar em contato com ela pelo email cimgspsi@gmail.com

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Trazemos aqui também a importância de consumir conteúdo que é criado por pessoas pretas. Fizemos uma curadoria de alguns dos perfis que a nossa equipe gosta e deixamos a indicação para você acompanhar o trabalho desses profissionais incríveis:


Flávia é comentarista do Globo News e colunista do jornal O Globo. (https://www.instagram.com/flaviaol/), Nina é Nina é CEO MBM/Speaker/IT Manager e foi eleita pela Forbes, em 2019, como uma das mulheres mais influentes do país. (https://www.instagram.com/ninasilvaperfil/), Liliane é Liliane é CEO da Gestão Kairós e colunista da época negócios (https://www.instagram.com/lilianerochaoficial/), Dandara é CEO e fundadora do grupo empresarial TBP (https://www.instagram.com/dandaraelias/), Júlio é palestrante, escritor e fala sobre comunicação e inteligência emocional (https://www.instagram.com/julio_pascoal_comunicador/) e Andreza é Head de Operações, Comunidades e Diversidades na BrazilJS (https://www.linkedin.com/in/andrezarocha/)


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Também separamos indicações de dois livros que são introdutórios para começar a estudar e entender sobre esse universo:



Finalizamos esse texto com o desejo que ele possa alcançar o maior número de organizações, executivos e departamentos de RH. É através dessas pessoas que vamos construir, cada dia mais, um mercado de trabalho mais justo e igualitário.


*As nossas fontes de pesquisa para esse post foram Jornal Nexo, O Globo, Medium e Correio Braziliense. Todos os dados citados podem ser encontrados nesses portais.

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Esse post é uma criação de Ana Uriarte. Por aqui, ela é a responsável pela curadoria de todos os conteúdos dos nossos canais. Para conhecer um pouco mais da Ana, é só clicar aqui.

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